"Imaginem a cena. Aquela típica de filmes em que o cara é rejeitado.
Lá está ele, sentado num banco, perto do cais. O dia está nublado e, como de costume, está com aquela cara de poucos amigos. Então chega um cachorro (geralmente aparecem aqueles labradores com o pelo dourado, algo comum nos filmes americanos) e ambos ficam olhando o horizonte. Na verdade, o vazio. O mar cinzento não os atrai, tão pouco o navio que está partindo.
O cara solitário... vamos chamá-lo de Samir. Este, nada o retira de tal dormência, de tal indiferença. O barulho dos carros, o vendedor de pipoca gritando em busca de compradores, as crianças correndo, o mundo inteiro. Nada é capaz de acordá-lo. É como se fosse... um urso e estivesse hibernando. Nem a queda das árvores faz com que desperte. Nem a risada mais contagiante. Ele está preparado e já se acostumou a ficar meses assim.
O horizonte vazio a sua frente não o preocupa. Sabem por quê? Na próxima estação, Samir/urso sabe que acordará. Vai compensar os meses que passou dormente/dormindo. Algo fará com que desperte. Talvez não esteja mais cansado; certamente levantará faminto. O vazio desaparecerá e o filme terminará com uma bela cena, cheia de pessoas sorridentes e balões coloridos no Central Park, com direito ao letreiro 'The End'.
Senhoras e senhores, tenho prazer de apresentar lhes a verdadeira identidade de Samir: ele é o meu coração."
Eu não sei porque razão coloquei o nome de Samir. Veio na minha cabeça e ficou. Eu achei que ficaria muito feliz nessa tarde, que pularia de emoção, etc... mas foi um dia sombrio (com direito a grilos cantando o famoso 'cricricri') para o Samir. Será que o sentimento... resolveu hibernar também?
Lá está ele, sentado num banco, perto do cais. O dia está nublado e, como de costume, está com aquela cara de poucos amigos. Então chega um cachorro (geralmente aparecem aqueles labradores com o pelo dourado, algo comum nos filmes americanos) e ambos ficam olhando o horizonte. Na verdade, o vazio. O mar cinzento não os atrai, tão pouco o navio que está partindo.
O cara solitário... vamos chamá-lo de Samir. Este, nada o retira de tal dormência, de tal indiferença. O barulho dos carros, o vendedor de pipoca gritando em busca de compradores, as crianças correndo, o mundo inteiro. Nada é capaz de acordá-lo. É como se fosse... um urso e estivesse hibernando. Nem a queda das árvores faz com que desperte. Nem a risada mais contagiante. Ele está preparado e já se acostumou a ficar meses assim.
O horizonte vazio a sua frente não o preocupa. Sabem por quê? Na próxima estação, Samir/urso sabe que acordará. Vai compensar os meses que passou dormente/dormindo. Algo fará com que desperte. Talvez não esteja mais cansado; certamente levantará faminto. O vazio desaparecerá e o filme terminará com uma bela cena, cheia de pessoas sorridentes e balões coloridos no Central Park, com direito ao letreiro 'The End'.
Senhoras e senhores, tenho prazer de apresentar lhes a verdadeira identidade de Samir: ele é o meu coração."
Eu não sei porque razão coloquei o nome de Samir. Veio na minha cabeça e ficou. Eu achei que ficaria muito feliz nessa tarde, que pularia de emoção, etc... mas foi um dia sombrio (com direito a grilos cantando o famoso 'cricricri') para o Samir. Será que o sentimento... resolveu hibernar também?



Um comentário:
Caaaaara!
Que texto perfeito! Amei, sério.
Não deixa o sentimento e o coração assim, por tanto tempo adormecidos, os renove todo dia, mesmo que seja para se sentir bem e viva um pouquinho.
Beijos
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