Mais uma vez o dia dos pais está chegando e a Liziane aqui nunca sabe o que fazer. Só há três coisas nesse mundo que eu amo fazer: ler, dançar e escrever. Bom, eu não lerei um conto de fadas para o meu pai nem a parte esportiva porque eu sempre começo a tossir quando leio em voz alta. Dançar? Não tenho mais 9 anos para fazer uma coreografia e apresentar pra família inteira. Ainda mais pra ouvir ‘Muito linda a dança, Lizi’ quando o máximo que fiz foi dar um passo pra cá e dois pra lá (e uma reboladinha, é claro). O que me resta? A-há! Muito bem! Escrever. Vamos lá então.
Segundo o dicionário e o que nós escutamos diariamente, pai é, no popular, o cara que decidiu se divertir uma noite com a tua mãe e PIMBA, tu nasceste. Ou então, é aquele filho da puta que engravidou a tua filha e não quer assumir a paternidade. Bem, isso não é pai! Pai se resume aos ensinamentos e lições de vida que deu aos seus filhos; as oportunidades e carinho também. Pai é aquele cara que dá uma de leiloeiro minutos antes da filha sair de casa.
- Me busca as duas, pai.
- Uma hora!
- Ah, paaaaai! Quinze pra uma, então?
- Uma e meia, e tenho dito!
- Ta! (Bate com o martelo e diz ‘Vendido’)
Pai é aquele que no teu aniversário de 18 anos, vem lá do próprio quarto com um vaso de flores na mão, dançando e rebolando com a tua mãe cantando parabéns. Pai é aquele que até tem ciúmes do namorado da filha, mas manda ela aproveitar o fim de semana e sair com o namorado. É aquele que invés de dar dinheiro para os filhos comprarem roupa, sabe o gosto dos mesmos e consegue acertar ‘na bucha’ o caimento, o tamanho, etc. É aquele que compartilha a tristeza com os filhos quando o computador estraga (não sei se é pelo filho ou se é porque não pode olhar os prédios em 3D no Google Earth). É aquele que mesmo quando brabo, só quer o nosso bem.
Se eu dizer que meu pai é o melhor do mundo, seria um clichê. Todo mundo diz isso. Por isso eu não digo, eu sei. Cada um é do seu jeito, dá carinho e amor do jeito que pode, seja através daquela macarronada que ele fez especialmente pra você antes de colocar aparelho fixo, seja indo no Marinha pra te ensinares a jogar futebol, seja te levando ao Olímpico pra ver um jogo contra o Caxias, mas que no final você os jogadores titulares sentaram pertinho de ti, seja comprando um livro de 800 páginas só pra estimular a ler e a saber mais dos ídolos de ambos. Pai que é pai dá um jeito, através de suas atitudes e todo aquele amor, merecer esse status. E não há dicionário algum que consiga definir tal palavra, tal honra.
E por isso eu penso na sorte que tenho de chamar o senhor Inácio de meu pai. Esse faz jus ao adjetivo que carrega há 30 anos. Viu? Se eu tivesse lido sobre o jogo de ontem para ele ou então dançado, duvido que o faria ficar um tantinho emocionado.
Te amo, Pai ♥



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